O vale do Paraíba no período colonial brasileiro tornou-se passagem para exploradores, que passavam por aqui em busca de pedras preciosas encontradas nas Minas Gerais. Nesses caminhos, muitos paravam e se instalaram dando origem aos primeiros povoados que se formaram as margens do Rio Paraíba. O Brasil ao ser colonizado por Portugal passou por um processo de aculturação dos costumes europeus, em todos os sentidos, inclusive na questão religiosa, uma vez que o catolicismo era a doutrina predominante do outro lado do atlântico.

Sendo assim, as vilas construídas no caminho do ouro sempre possuíam uma capela, estas levaram nomes de santos de devoção católica, devido às crenças dos primeiros habitantes do território.

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A cidade de Lorena foi uma delas, em 1705 foi erguida a capela em honra á Nossa Senhora da Piedade. A escolha da Santa como padroeira deve-se provavelmente a devoção de algum dos fundadores da vila. Alguns nomes sugeridos são: Pedro da Costa Colaço, João Almeida Pereira, Domingos Machado Jacome e principalmente Bento Rodrigues Caldeira, um dos maiores fazendeiros da época.

Lorena, ainda conhecida como Guaypacaré, que para os indígenas significa “Braço ou seio da lagoa torta”, pertencia aos sertões da Vila de Santo Antônio de Guaratinguetá, logo depois, passou a se chamar Vila de Nossa Senhora da Piedade, em honra a então Padroeira da vila.

Logo, após a construção da primeira capela próxima ao porto de Guaypacaré, começaram a se agrupar os primeiros moradores formando o núcleo de povoamento da vila.

Em outro território da Vila de Guaratinguetá, no ano de 1717, é encontrada as margens do Rio Paraíba a imagem de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, sendo assim, começa uma trajetória da devoção Mariana no Vale do Paraíba, tornando Nossa Senhora de Aparecida a Rainha e Padroeira do Brasil.

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No ano seguinte, a Vila de Nossa Senhora da Piedade se desvincula da Vila de Guaratinguetá e torna-se Freguesia da Piedade, sendo construída uma nova Igreja para a padroeira, transformando o lugarejo em um território de culto e devoção mariana no Vale do Paraíba, uma vez que a vila era frequentada por aqueles que paravam no porto de Guaypacaré para fazer suas orações a Santa Padroeira da pequena vila. Sendo assim, é elevada uma nova capela, que passa a ser a matriz.

No ano de 1831, a pedido do vigário, o povo passa a patrocinar a construção da terceira igreja. Porém, devido a grandes dificuldades econômicas em Lorena, passaram-se 30 anos e a paróquia permanecia inacabada. Sendo assim, a Matriz da cidade passou a ser provisoriamente a Igreja do Rosário.

Nos fins do século XIX, tempo de apogeu da economia cafeeira, é traçado um novo projeto para elevação da Paróquia, que com ajuda do Conde de Moreira Lima é construída e inaugurada em 1890. A matriz contém três naves no interior sendo separadas por largas colunas cilíndricas, imagens doadas pelos lorenenses, ladrilhos franceses, entre outros objetos.

Algumas dúvidas surgem em torno do projeto da Catedral, pois, há registros que afirmam que o arquiteto responsável foi o Dr. Francisco de Paula Ramos de Azevedo, porém, na relação de obras do engenheiro, não encontramos registros que comprovem tal afirmação. Subentende-se que o responsável pela obra pode ter sido algum arquiteto que trabalhava no escritório F.C Ramos de Azevedo e Cia. Talvez, este tenha sido o indicio de que o engenheiro que projetou tantas obras da arquitetura do estado de São Paulo foi o mesmo construtor que desenhou a Catedral de Lorena.

 

Algo interessante a se observar é a posição da Catedral, que está de costas para a cidade. A razão disso é que última construção da paróquia foi projetada de frente para o braço do rio Paraíba que se passava na época, sendo assim, a cidade se desenvolveu de costas para a igreja.

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Todos os anos no dia 15 de agosto ocorre a Festa em Homenagem a padroeira da cidade, demonstração de fé mariana que acontece desde o período de formação da vila de Guaypacaré, á mais de três séculos. Na festa ocorre a tradicional procissão, onde os moradores percorrem o centro da cidade com a imagem, como expressão de fé e religiosidade no município.

Essas tradições se formaram graças a todos os acontecimentos nesses 300 anos de história, a colonização, a devoção ao catolicismo e por fim o aparecimento da imagem no Rio Paraíba trouxe desenvolvimento da religiosidade, culto mariano e prática da fé na região do Vale de Paraíba.